PM despeja famílias de ocupação em área ligada ao Banco Master em Uberlândia (MG)

Publicado em 02 de Setembro de 2026 às 12h12. Atualizado em 02 de Setembro de 2026 às 12h26

A Polícia Militar de Minas Gerais despejou, nessa terça-feira (1º), famílias que ocupavam uma área rural conhecida como Fazenda Fundo Bacuri, em Uberlândia (MG), ligada ao Banco Master. A ocupação havia sido realizada em 30 de agosto pelo Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), como forma de denunciar a situação da propriedade e reivindicar o cumprimento da função social da terra. A ação policial ocorreu em meio a um cerco à área e foi marcada por restrições à entrada de alimentos, água, produtos de higiene, além de impedir o acesso da imprensa.

Segundo informações divulgadas pelo movimento, a ocupação reuniu aproximadamente 150 famílias, muitas delas já cadastradas junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Entre as famílias estão integrantes do Acampamento MTL Bob Vive, constituído após o assassinato de Robinson dos Santos Guedes, conhecido como Bob, em 2025.

Em vídeo gravado no local, a advogada Marilda Terezinha, que chegou a ser algemada e detida pelos policiais, questionou a atuação da PM por não haver ordem judicial determinando a desocupação da área. A advogada também afirmou que o movimento havia recorrido à Justiça para garantir os direitos das famílias e o acesso dos advogados ao local.

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Uberlândia (Adufu-Seção Sindical do ANDES-SN), que assinou nota de apoio à ocupação, afirmou que a situação das famílias demonstrou a necessidade de uma resposta do Estado que assegure o direito à terra, ao trabalho e à dignidade. A entidade e as demais organizações signatárias também defenderam a realização das vistorias necessárias nas áreas indicadas pelo movimento e o cumprimento da função social da propriedade.

Ainda em nota, a seção sindical e as demais entidades signatárias manifestaram “discordância e indignação” diante da atuação da Polícia Militar e classificaram o despejo como ilegal, por ter ocorrido sem mandado judicial.

As entidades também criticaram o que consideram tratamento desigual por parte do Estado. “Não pode haver, em uma sociedade democrática, dois pesos e duas medidas: rigor e criminalização para os trabalhadores que lutam por seus direitos e tolerância diante de eventuais práticas lesivas ao patrimônio público, ao meio ambiente ou aos interesses da sociedade”, afirmaram.

Alimentos e água
A atuação policial também afetou a entrada de alimentos, água e produtos de higiene na área. Forças policiais interditaram a rodovia que dá acesso à propriedade.

Jorgetânia Ferreira, presidenta da Adufu SSind., relatou que entidades foram ao local para entregar alimentos, toalhas e produtos de higiene, mas tiveram o acesso impedido pela Polícia Militar.

De acordo com a diretora, as entidades haviam recebido autorização para realizar entregas três vezes ao dia, mas não conseguiram sequer levar o café da manhã às pessoas acampadas. “É sobre o direito humano à água, é sobre o direito humano à alimentação e à higiene pessoal”, afirmou.

Projeto imobiliário
A ocupação também colocou em debate a destinação da extensa área rural. Conforme a nota das entidades, o local estaria destinado a empreendimentos imobiliários e à instalação de um grande Data Center, anunciado com elevados investimentos e promessa de geração de empregos. As entidades que assinam a nota de apoio defendem que eventuais irregularidades sejam rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes e reivindicam transparência e participação social nos projetos previstos para a área.

Em nota, o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade denunciou uma suposta valorização artificial do terreno em Uberlândia, que teria passado de R$ 14 milhões, em 2019, para R$ 76 milhões, em 2025. Segundo o movimento, o negócio envolveria gestoras e consultorias também investigadas por fraudes no Banco Master.

 

Foto de Capa: Divulgação MTL

Compartilhe...

Outras Notícias
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
EVENTOS
Update cookies preferences