Centenas de milhares de pessoas se manifestaram na terça-feira (12) em todas as províncias da Argentina, como parte da Quarta Marcha Universitária Federal. O protesto reuniu estudantes, docentes, técnicos e técnicas administrativos, representantes sindicais, de organizações sociais e população em geral.
As e os manifestantes foram às ruas em defesa da educação pública e para exigir que o governo de Javier Milei cumpra a Lei 27.795, sobre o financiamento das universidades. Aprovada em outubro de 2025 após a derrubada de um veto presidencial, a medida estabelece o financiamento das universidades nacionais e a reestruturação salarial dos professores e funcionários.
Em todo o país, as marchas denunciaram a política de desfinanciamento e desmantelamento implementada pelo Executivo Nacional. Cerca de 70% dos salários de docentes, de servidoras e de servidores da educação superior estão abaixo da linha da pobreza, com perda salarial equivalente a oito salários desde o início do governo de Milei.
Mais de 60 universidades em todo o país exigiram o cumprimento da lei e a destinação de verbas para garantir seu funcionamento. Segundo os organizadores, 1,5 milhão de pessoas se mobilizaram em diferentes partes do país.
Sob o lema “Pela educação, universidade pública e ciência nacional”, a mobilização em Buenos Aires foi organizada com o apoio da Federação Argentina de Universidades (FUA), da Frente Nacional de Sindicatos Universitários e do Conselho Interuniversitário Nacional (CIN), e teve seu epicentro na Plaza de Mayo, onde ocorreu o evento principal.

Durante o dia, também foram registradas mobilizações massivas em cidades como Córdoba, Rosário, Santa Fé, Mendoza, Neuquén, Salta, Jujuy, Mar del Plata, Corrientes e Resistencia, entre outras.
Segundo um relatório do Centro Ibero-Americano de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Inovação (Ciicti), o orçamento das universidades argentinas caiu este ano para 0,428% do Produto Interno Bruto (PIB), o nível mais baixo desde 1989. Esse número contrasta fortemente com os 0,526% do PIB registrados em 2025 e os 0,718% em 2023, antes da posse do atual governo.
O documento aponta que os fundos alocados pelo Ministério da Educação da Argentina para o desenvolvimento do ensino superior sofreram uma queda real de 21,8% em 2024, seguidos por um declínio de 3,5% em 2025. As projeções indicam uma queda adicional de 16,9% para 2026, intensificando as preocupações no setor.
Em Buenos Aires, os grupos organizadores denunciaram que a crise enfrentada pelas universidades “não é apenas orçamentária”. “O Poder Executivo, num ato sem precedentes de desprezo institucional, decidiu se insurgir contra os outros dois poderes: ignora a Lei de Financiamento das Universidades nº 27.795, aprovada e ratificada por ampla maioria no Congresso, e desconsidera as decisões judiciais que ordenam seu cumprimento imediato”, declararam membros da Confederação das Universidades Argentinas (FUA), durante a leitura de um documento no evento principal na Plaza de Mayo.

“Não podemos permitir que os pilares de nossas universidades — trabalhadores, docentes, funcionários, pesquisadores e estudantes — sejam expulsos do sistema. Se não defendermos nossas universidades hoje, o futuro de prosperidade do país não passará de um sonho. É aqui e agora. As universidades públicas devem ser defendidas. Por mais e melhor educação pública e ciência”, concluíram.
O acesso ao ensino superior público na Argentina é gratuito para os estudantes desde 1949, e muitas das 57 universidades nacionais, financiadas pelo Estado, gozam de sólida reputação acadêmica. Essa tradição de gratuidade e excelência está ameaçada por cortes orçamentários, o que motivou a grande manifestação desta terça em defesa do modelo nacional de educação.
Fonte: Telesur, com edição do ANDES-SN