Comunidades universitárias sofrem com ameaças de morte e violência política

Publicado em 21 de Outubro de 2026 às 13h48. Atualizado em 21 de Outubro de 2026 às 14h51

O ANDES-SN se manifestou contra diversas ameaças e atos de violência política contra a comunidade acadêmica, ocorridos na última semana, em diversas universidades públicas do país. Os casos, registrados em meio ao acirramento das disputas políticas no período eleitoral, reforçam a preocupação com a escalada da intimidação política nas instituições de ensino superior.

Ameaça de morte na Uespi
Na tarde de 15 de outubro, Dia da Professora e do Professor, a professora Samara de Oliveira Silva, da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), campus de Parnaíba, encontrou 13 bilhetes com ameaças de morte no laboratório em que trabalha. Em nota divulgada nessa terça-feira (20), o ANDES-SN manifestou solidariedade à professora e à comunidade acadêmica da Uespi e cobrou a apuração célere da autoria das ameaças e a responsabilização das pessoas envolvidas.

“O uso do medo, da intimidação e da violência contra pessoas que se manifestam em defesa da democracia constitui uma prática autoritária, de caráter fascista, que não pode ser tolerada”, afirma a nota. O Sindicato Nacional ressalta ainda que as ameaças contra a docente representam um ataque a toda a categoria docente e à liberdade de expressão no ambiente universitário. Confira a Circular aqui. 

Violência na UFRN
Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), confrontos físicos e agressões a estudantes ocorreram na segunda-feira (19), durante uma mobilização de grupos de extrema direita ligados ao bolsonarismo, contrários ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL). O ato contou com a participação de parlamentares do PL.

Segundo nota do ANDES-SN, o grupo entrou no Campus Central com um veículo equipado com um potente sistema de som, conhecido como “paredão”, exibiu um boneco inflável do presidente Lula associado à figura de um presidiário e realizou provocações. A ação prejudicou as atividades acadêmicas e evoluiu para um tumulto, com agressões a estudantes e depredação do portão da universidade. Aulas e atividades administrativas também foram interrompidas.

Para a diretoria do ANDES-SN, há indícios de que a mobilização buscava reproduzir uma estratégia de provocação em universidades, com a produção e divulgação de conteúdos fragmentados e descontextualizados nas redes sociais, a fim de retratar a esquerda como violenta e as universidades públicas como espaços de conflito e desorganização.

A administração da UFRN também repudiou os episódios e destacou que divergências políticas fazem parte da vida universitária e do exercício democrático, mas não justificam intimidações, ameaças ou agressões. A universidade informou que a mobilização ocorreu sem autorização institucional e envolveu o uso de equipamentos de som e fogos de artifício, ameaças à integridade física e moral de integrantes da comunidade acadêmica e danos ao patrimônio público. A instituição afirmou que adotará medidas administrativas e judiciais para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos. Acesse a Circular aqui. 

Ataques também atingem a UFRR
A Universidade Federal de Roraima (UFRR) também foi alvo de ataques nos dias 16 e 17 de outubro, no bloco do curso de Direito e no Centro de Ciências Humanas, no campus em Boa Vista.

Grupos ligados à extrema direita invadiram espaços da universidades, rasgaram materiais informativos e cartazes, retiraram uma bandeira antifascista e interromperam aulas. Entre os envolvidos estão um deputado estadual do PL e uma blogueira. A Polícia Federal abriu investigação sobre os fatos, e estudantes também apresentaram denúncias ao Ministério Público Federal (MPF).

Em nota, a diretoria do ANDES-SN repudiou os episódios e manifestou solidariedade à comunidade universitária, especialmente a estudantes, docentes, técnicas e técnicos administrativos e demais trabalhadoras e trabalhadores que atuam nesses espaços.

A administração da UFRR também repudiou a invasão e a depredação do Centro Acadêmico de Direito e afirmou que adotará medidas administrativas e judiciais para apurar os fatos e responsabilizar as pessoas envolvidas. A instituição reafirmou seu compromisso com a autonomia universitária, a liberdade de expressão e o respeito à diversidade de ideias. Leia mais aqui. 

Ofensa à comunidade da Ufac
No Acre, o presidente estadual do PL, João Paulo Bittar, durante um ato de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, gravou um vídeo de caráter eleitoral em que chamou a comunidade acadêmica da Universidade Federal do Acre (Ufac) de “bando de vagabundo”.

Para o Sindicato Nacional, a declaração integra uma escalada de ataques da extrema direita às universidades públicas e contribui para estigmatizar estudantes e suas formas de organização. O ANDES-SN manifestou solidariedade à comunidade acadêmica e reafirmou a defesa da universidade pública, da ciência e das liberdades democráticas.

Em nota conjunta, a Ufac, a ADUFAC – Seção Sindical do ANDES-SN, o Sintest-AC e o DCE repudiaram as declarações de Bittar. As entidades afirmaram que a fala desqualifica estudantes, docentes e técnicas e técnicos, além de buscar deslegitimar a universidade pública. Saiba mais na Circular.

Defesa da democracia e da autonomia
O ANDES-SN alerta que a criminalização dos movimentos sociais e das manifestações em defesa de direitos, associada a práticas autoritárias, ameaçam a comunidade acadêmica e as liberdades democráticas. O Sindicato Nacional cobra a apuração rigorosa e célere dos acontecimentos, a responsabilização das pessoas envolvidas e a adoção de medidas de prevenção e proteção construídas com a participação da comunidade universitária, respeitando a autonomia da instituição.

 

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